Foi uma tarde/noite bem movimentada a de ontem. Na parte da tarde, no campus Santa Mônica da UFU, tivemos as conferências de abertura do II Seminário Nacional de Pesquisa em Teatro. Os palestrantes: a atriz peruana Teresa Ralli (de Antígona que havíamos visto na noite anterior) representou o diretor Miguel Rubio Zapata que havia sido escalado para falar, mas não compareceu por motivo de doença e o diretor espanhol Mariano Llorente Frusá do grupo Micomicon que havia se apresentado na segunda-feira (espetáculo que não tivemos a oportunidade de assistir). As palestras tiveram como tema o percurso histórico-criativo dos grupos representados pelos artistas palestrantes: Yuyachkani do Peru e Micomicon da Espanha. Interessante que apesar de pertencerem a realidades histórico-sociais tão distintas (além do fato de te terem sido criados em épocas diferentes já que o grupo peruano surgiu em 1971 e o espanhol em 1991), a motivação de transformação política pela arte anima a ambos.
Houve também o lançamento do livro “Klauss Vianna, do coreógrafo ao diretor”, de Joana Ribeiro, bem como da revista bahiana “Boca de Cena” e dos quatro primeiros volumes da coleção “Dramaturgia Latino-Americana”. A revista é baratinha, apenas R$5,00, mas os livros oscilam entre R$15,00 (o mais barato) a R$30,00. Já o livro sobre Klauss Vianna tem um preço de capa de R$51,00, mas durante o Seminário será vendido a R$25,00 para estudantes. Preços um pouco salgados tendo-se em vista o público consumidor preferencial de tais obras: artistas e estudantes de artes.
Fomos brindados na sequência com uma demonstração de trabalho da atriz peruana Teresa Ralli: “Desconstruindo Antígona”. Tanto o espetáculo quanto a demonstração de trabalho já haviam sido mostrados na edição de abril/maio do ECUM em Belo Horizonte. O certo é que “Desconstruindo Antígona” é um outro espetáculo. É claro que toda demonstração de trabalho tem um caráter eminentemente didático, mas acompanhar o que nos narrou a atriz (uma grande atriz) sobre seu percurso criativo, a transformação de suas experimentações em cena, o entroncamento de suas memórias de atriz com a memória do texto grego, do diretor, do dramaturgo, etc, foi muito mais que interessante: foi um bálsamo para qualquer artista que milita no teatro (sim, nas condições em que trabalhamos, o que fazemos é mesmo militar com teatro) Um percurso para emocionar qualquer artista.
À noite tivemos a apresentação do grupo colombiano Varasanta que nos trouxe “Fragmentos de Libertad -200 años”, dirigido por Fernando Montes (que também esteve na última edição do ECUM ministrando oficina).
Ao contrário de Antígona que primava pela ausência de cenários e outros objetos cênicos e dessa “pobreza” retirava toda sua força dramática, “Fragmentos” é mais rico de elementos (figurinos e adereços principalmente), mas alcança resultados bem mais modestos não obstante a adesão quase total do público presente. A montagem pretende fazer um levantamento de 200 anos da história colombiana vista como um espelho (nem tanto espelho assim) da história de outros países da América do Sul, desde a época pré-colombiana, a chegada do invasor espanhol – o que nos remete ao livro “Nascimentos” de Eduardo Galeano, até a independência do país, a separação do Panamá, ao domínio norte-americano e às últimas eleições presidenciais do país. Um espetáculo que em princípio é construído sobre cantos e danças e que se perde ao longo da narrativa numa selva de signos que talvez fossem melhor assimilados pelo público colombiano. Há um intermezzo interativo com a platéia que é divertido e funciona como animação de auditório ou para integrar um público estrangeiro (no caso nós brasileiros) a uma temática carregada de cor local (colombiana). Uma tática que pode funcionar em espetáculos de rua que tenham esse cunho político-histórico-social, mas que não acrescenta muito à narrativa como um todo. Ainda assim foi uma boa experiência.
Notas:
O campus da UFU é interessante. Uma universidade moderna cujo estado de conservação é melhor que os prédios da UFMG (principalmente o da FAFICH que apesar de ter vinte e poucos anos está um lixo), mas também não chega a ser um primor.
A passagem de ônibus aqui em Uberlândia é mais cara em relação a BH: R$2,40. Em compensação as ruas da cidade tem um asfalto que nos deixa vermelhos de vergonha.
Ler, ler, saborear as palavras que eu tinha tantas saudades!
ResponderExcluir