terça-feira, 11 de outubro de 2011

Pílulas

Ainda sobre futebol e outros esportes:
1)   Meia  entrada
Aprovado pelo Congresso Nacional o Estatuto de Juventude que estabelece meia entrada para estudantes de 15 a 29 anos. A medida atinge também os ingressos para as partidas de futebol e dentre elas as da Copa do Mundo que se realizará em 2014 no país. A toda poderosa FIFA chiou. A entidade, verdadeiro poder paralelo no mundo atual, não investe um centavo sequer nas obras que o Brasil está fazendo para sediar a Copa, faz uma lista interminável de exigências e não pode perder nada com os ingressos. É a velha história que todos conhecemos: eles entram com o pé e nós com a...
Mas sem sombra de dúvida a pérola sobre o assunto veio do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que sugeriu que o poder público municipal, estadual e federal arcasse com a outra parte do ingresso para não “prejudicar” a coitadinha da FIFA. Espero que o eleitorado carioca que em um passado nem tão distante assim (falo dos anos 60, 70 e começo dos 80) tinha fama de rebelde, não se esqueça desse tipo de proposta nas eleições municipais do ano que vem e dê a devida resposta.
2)   Copa Sul Americana
O que fazer com uma competição como a Copa Sul-Americana? Vendo o jogo do Vasco contra o Aurora da Bolívia em que o cruzmaltino, que jogou com apenas 2 titulares, levou uma sapatada de 3x1 fiquei pensando até que ponto essa competição se justificaria dada a aparente falta de interesse das equipes brasileiras, sempre às voltas com rodadas cruciais do Brasileirão. Sempre fui um defensor da existência de outras competições interclubes no continente para seguir o exemplo europeu que, até 1999 possuía quatro disputas diferentes. Até a década de 90 as competições alternativas à Libertadores se justificavam pelo fato de que a própria competição maior da América ser disputada por apenas 21 clubes (2 de cada país e mais o último campeão), mas a partir de 2000 com o inchaço da Libertadores a Sul Americana perdeu sua razão de existir. Aconteceu também na Europa que integrou a antiga Recopa à sua Liga dos Campeões também inchada. Lá existe outra competição, a Liga Europa, mas o velho continente tem mais de 50 países e, por motivos técnicos e econômicos, nem todos tem acesso à fase de grupos da competição e aos mata-mata cruciais. A América do Sul tem apenas 10 países inscritos e mais o México convidado. Do jeito que está é uma competição boba, desinteressante e desprezada pelos times importantes (pelo menos do Brasil). Se ela ainda fosse disputada simultaneamente a Libertadores como na Europa, quem sabe?

3)   Pan no México

Outra competição que a meu ver está perdendo a razão de existir é o Pan. A despeito do fato de esse ser transmitido pela Record, uma boa novidade em detrimento ao monopólio abusivo de transmissões esportivas detidos pela Globo e ao grande investimento que os países sede fazem (como o Brasil em 2007), fico pensando na justificativa técnica para sua existência atual. Para mim competições esportivas só se justificam se contarem com o que existe de melhor na modalidade em disputa. Pense numa Copa América sem o Brasil ou a Argentina ou em que tais países só enviassem equipes sub 17 ou 20, por exemplo. Que graça teria? O fato é que nos Jogos Pan-Americanos raramente países importantes como os EUA mandam o que tem de melhor e aí vão dois exemplos para o que estou dizendo: o Brasil é o atual bi-campeão pan-americano de basquete masculino. Será que equipes como a da Argentina e dos EUA mandam seus melhores times para o Pan? Claro que não. E a prova disso é que o Brasil somente esse ano conquistou uma vaga olímpica depois de quase dezesseis anos ausente (a última participação olímpica do basquete brasileiro fora em 1996 em Atlanta no que foi a despedida do grande Oscar). Nesse intervalo a Argentina foi medalha de ouro em Atenas. Falar mais o quê?
Outro exemplo foi o desempenho do nadador Tiago Pereira no Pan de 2007. Foram sete medalhas de ouro, feito que fez com que a imprensa tupiniquim o comparasse ao grande Mark Spitiz que no Pan de 1967 também havia ganho o mesmo número de medalhas. Ocorre que Sptiz foi o grande vencedor das olimpíadas de 1972 ganhando o apelido de “tubarão de Munique”. Todos nos lembramos do desempenho de Tiago Pereira nos últimos jogos de Pequim, não é? E não vai aqui nenhuma crítica ao atleta.
Para concluir, penso que se não for para reunir o que existe de melhor no continente, Pan para quê?

Um comentário:

  1. bem, falando sobre o Pan. Os EUA podem estar se lixando pra o Pan, mas os outros países não. Eles esnobam porque podem. Bom pra eles. Embora tenham ficado atrás da China no Ranking final das últimas olimpíadas, ainda são os grandes campeões no esporte em geral.

    Já pros outros países americanos, o Pan é importante sim. Não penso que só porque os Eua esnobam o Pan ele deixe de ser importante.

    Assim como os eua e a argentina não mandam seus times principais de basquete pra Pan, o Brasil também não vai mandar o time de vôlei principal masculino. Penso até que não deveria ter mandado o Cesar Cielo também. Se é pra esnobar...

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