Não sei o que pensam sobre futebol os que porventura me lêem nesse espaço. De antemão devo confessar que apesar de nunca ter jogado bola na infância (sim, eu era um menino diferente), gosto do, nem tão nobre assim, esporte bretão. E como esse espaço tem o objetivo de refletir o que penso vamos lá:
Faltando dez rodadas para o final do campeonato brasileiro os três representantes mineiros encontram-se nas últimas colocações. No último sábado, América e Atlético protagonizaram um clássico sofrível onde, para utilizar a expressão de um diário local, faltaram futebol e público. Vejo-me na obrigação de discordar. Faltou futebol, como vem faltando a ambos os esquadrões há tempos. Público não. Pelo contrário, os setecentos e poucos torcedores que compareceram à Arena do Jacaré foram até bastante numerosos para o que esses times vêm exibindo desde que o campeonato começou.
Não sei se o América possuía grandes pretensões para o campeonato a não ser a de permanecer na série A, mas o que dizer do Atlético? Presença constante entre os primeiros colocados do campeonato quando esse era disputado em fases eliminatórias, sendo sempre o time do quase-lá, desde a adoção dos pontos corridos tem se convertido numa eterna decepção para sua torcida (é, juntamente com o Vasco da Gama, o time que mais esteve presente na zona de rebaixamento desde 2003). Sua melhor colocação foi o sétimo lugar em 2009 quando chegou a disputar o título lá pela metade do campeonato.
Relegado a uma posição subalterna no cenário nacional pela absoluta escassez de títulos importantes, o alvinegro tem em sua apaixonada torcida o seu maior patrimônio. Depois do jogo de sábado fiquei com a pulga atrás da orelha: Será que a torcida do Atlético finalmente perdeu a paciência com o time? Tomara. Quem sabe assim as coisas mudam. Não sou entendedor de futebol, mas vejo coisas óbvias, por exemplo, jogadores como Diego Souza que não fez nada no Atlético jogando um bolão no Vasco onde também brilha um ex-atleticano de nome Éder Luís. Bons técnicos também passaram por aqui e não conquistaram nada de Wanderley Luxemburgo a Cuca, passando por Celso Roth e Dorival Júnior. Isso para não falar que o clube possui a melhor concentração do país. Então o que falta para o futebol aparecer e deslanchar? Para mim o problema está em Lourdes e nas pessoas que andam ocupando o trono do alvinegro desde os anos 80.
A situação do Cruzeiro não é melhor. O time simplesmente não venceu no segundo turno e está há apenas 3 pontos da zona da morte. Segundo os entendidos o clube, comparado ao Barcelona nos quatro primeiros meses do ano, sofreu um desmanche com a venda de vários jogadores. Penso que o time celeste seja vítima de sua mania de grandeza e de suas próprias jogadas de marketing. Quem conhece minimamente o futebol sabe que o Cruzeiro de 2011 nem de longe pode ser comparado a um time como o Barcelona. O Cruzeiro brilhou no campeonato mineiro e na primeira fase da Libertadores e só. É a mesma lógica que faz com que o clube propague aos quatro ventos que é o melhor clube brasileiro do século XX. É só pensar em times como o Santos de Pelé ou o Flamengo de Zico para voltarmos à realidade, mas marketing é marketing. Talvez a auto-ilusão tenha feito com que o clube, pensando-se auto-suficiente, tenha vendido tantos jogadores importantes e os resultados estão aí.
Mas penso que o Cruzeiro não vá cair. Apesar de ser um time muito inferior ao que gostaria de ser é superior aos outros quatro que estão na zona de rebaixamento e mostrou atitude no último jogo contra o São Paulo. Já Atlético e América, para mim são casos perdidos. Uma pena para Minas.
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