Estou de volta.
Minha última postagem foi em 2013.
De lá pra cá me dediquei a outras coisas: escrevi para um jornal de Contagem que não é mais publicado e montei minhas peças. A morte do meu pai em outubro de 2013 me abalou e me fez desistir de algumas coisas, protelar outras. No auge do furacão do golpe eu não cogitava voltar a escrever no blog. O deixei de lado. A vontade de escrever voltou. De falar das coisas que sinto e principalmente de falar de teatro e política.
Faço parte do coletivo de poesia O Grito. Fazemos coisas interessantes lá.
Agora apresento o primeiro texto da nova fase do blog.
É sobre Lula, claro.
Desde que foi julgado pela primeira vez por Sérgio Moro eu sabia que ele seria condenado e preso.
Não sou cientista político e nem Mãe Dinah, mas para mim ficou claro desde o princípio de qual seria o resultado de seu julgamento. Nunca acreditei que o TRF4 mudasse o rumo das coisas e muito menos o STF. Para mim sua prisão seria questão de tempo. Se as pesquisas de opinião pública não o apontassem tão favorito a vencer as eleições de 2018 talvez o resultado fosse outro. E acho que muitos dentro da esquerda pensavam que mesmo com o golpe seria estancado com a eleição de Lula em 2018. Nunca acreditei nesta hipótese.Já haviam rasgado a constituição para afastar Dilma. Por que salvariam Lula?
De qualquer forma aí vai meu texto, o que eu preparei para o retorno deste blog.
É uma livre adaptação do célebre discurso de Marco Antônio nos funerais de Júlio César. É uma pérola da oratória e está em um dos grandes textos de Shakespeare. Nos anos 60 do século passado Millor Fernandes utilizou parte desse discurso no texto teatral "Liberdade, Liberdade". Foi onde o li. Peço licença a Marco Antônio, Shakesperare e Millor. Peço licença também ao eventual leitor.
Amigos, brasileiros, cidadãos, prestai-me
atenção.
Vim aqui para enterrar Lula, não para elogiá-lo.
O mal que os homens fazem permanece depois
deles.
O bem quase sempre é enterrado com os nossos ossos, que seja assim
também com Lula.
O nobre promotor da República de Curitiba nos
disse que Lula é o chefe do bando. E se isso é verdade, é uma falta muito
grave, e Lula pagou por ela gravemente, com sua justa condenação, prisão e
morte política. Pois o ilustre promotor de Curitiba é um homem honrado, temente
a Deus e assim são todos eles, juízes da primeira e da segunda instância, todos
homens honrados e conhecedores dos meandros secretos das leis.
Venho para falar no funeral político de Lula.
Ele foi um político com
um histórico de lutas impecável.
Mas o Juiz de Curitiba diz que ele era um
bandido. E o juiz de Curitiba é um homem honrado.
Lula trouxe para a cena política milhões de
esquecidos. Não era nenhum doutor pela Sorbone, nem nunca foi chamado de
príncipe dos sociólogos, mas foi o presidente que mais criou universidades e
escolas técnicas. Foi ele que criou o Pro - Uni e o Reuni. Com seus programas
milhares de filhos de brasileiros pretos e pobres puderam chegar à
universidade.
Isto vos parecia a atitude de um ladrão, de um homem que vendeu
seu governo por um triplex no Guarujá ou um sítio em Atibaia?
Quantos pobres
puderam entrar no mercado de consumo graças às políticas de Lula? Quantos
puderam passar a comer, a ter alguma assistência médica, a comprar coisas que
antes só viam nos anúncios da televisão e até a viajar?
Ora, a ambição dos
ladrões, e há de fato muitos ladrões no Brasil, torna as pessoas duras e sem
compaixão. Entretanto, a grande mídia diz que Lula era um bandido. E a grande
mídia é dirigida por homens honrados.
Vocês devem se lembrar que no auge de sua
popularidade, quando ele foi capaz de eleger “um poste inexpressivo” como a
grande mídia dizia, para dar prosseguimento ao seu trabalho, vocês devem se
lembrar que se cogitou em um terceiro mandato, em uma alteração na constituição
como fizeram em outros países.
Mas vocês também devem se lembrar que tal
artifício foi negado todas as vezes em que foi sugerido. Ao contrário de seu
ilustre antecessor, probo possuidor de apartamento em Paris, que mal havia se
sentado na cadeira presidencial e já articulava a aprovação de emenda para
reelegê-lo.
Todos sabem disso ou deveriam saber. E nem estamos falando do
antecessor, mas de Lula que, como juízes e promotores dizem, é um ladrão. E
juízes e promotores são homens honrados.
Eu não falo aqui para discordar do que o honrado
juiz de Curitiba falou. Mas eu tenho que falar daquilo que eu sei.
Nos anos de
Lula o Brasil de fato cresceu ou esboçou um crescimento, era um país respeitado
pela comunidade internacional. A rainha
da Inglaterra quis se sentar ao lado dele, do analfabeto iletrado e sem um dos
dedos da mão. Éramos vistos como um novo eldorado, como um país que enfim havia
encontrado o caminho da prosperidade, da estabilidade e da democracia.
Porque
vocês sabem ou deveriam saber que não se faz democracia sem povo e os governos
de Lula trouxeram o povo para a ribalta política.
Vocês todos já o admiraram em
algum momento e tinham razões para admirá-lo.
Qual a razão que os impede agora
de estar ao lado dele? De ir para as ruas para defender o seu legado, de
resgatar nossa esperança no futuro?
Com esse discurso fúnebre não pretendo
transformar Lula em santo.
Não quero também encobrir seus erros, os erros de sua administração. Pois é claro que erros foram cometidos como em qualquer outro governo.
O
certo é que quase todos os ditos partidos políticos estavam em seu governo,
disputavam ministérios e cargos nas estatais e agora todos estão contra ele.
Também em seus governos a Polícia Federal teve uma independência para
investigar nunca imaginada em governos anteriores.
Não tivemos nos governos do
ex-operário nenhum “engavetador geral da República” como ocorria em governos de
outrora.
Suspendeu impostos para incentivar a indústria, adiou o quanto pode a
chegada da grande crise de 2008, promoveu como ninguém as empresas nacionais
enquanto diziam que ele era comunista, bolivariano.
Defender o Brasil virou
crime num mundo de interesses globalizados.
Não choro por ele, meus amigos. Um homem é um
homem com acertos e erros e no final tudo vira pó.
Eu choro na verdade é por
nós brasileiros, nós que sonhamos com um país melhor, com um futuro melhor.
Vim
para falar da morte de Lula, de sua morte política como apregoam os bem
pensantes, mas sinceramente não vejo em nenhum lugar o seu cadáver, pois como ele mesmo disse, não se mata uma ideia.
O único corpo que vejo
nesse enterro é o da democracia brasileira, de nossa esperança no futuro.
A “morte de Lula” é como uma pá de cal em
nossos anseios por um país mais justo. Ela só é boa para quem sempre teve de
tudo, para quem sempre desfrutou do poder.
E não se enganem: outros virão para
reclamar seu espólio e serão igualmente esmagados por esses homens honrados que
não medem esforços para não perder uma migalha de poder que seja, que vêem o
homem do povo como eterno escravo a seu serviço.
A grande lição que devemos
tirar disso tudo é que está apenas em nossas mãos mudar esse jogo.
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