No texto postado anteriormente eu havia dito que iria falar do Prêmio Usiminas/Sinparc que chegou a sua 8ª edição (o prêmio mesmo começou em 1996, mas com outro nome). Meio estranho falar do prêmio em função mesmo de fazer parte dele como membro da comissão de teatro infantil, mas é inevitável comentar.
Os prêmios são sempre os mesmos. Uns lhe dão confiança, outros não. É uma pena. Penso que um evento como a premiação para os destaques do ano deveria ser um momento de união da classe artística. Claro que é difícil. Nosso espírito competitivo nos faz muitas vezes olhar com desdém e certa inveja para os colegas que foram indicados e/ou premiados. Mas não deveria ser assim. O barco do teatro é o mesmo e estamos todos nele. Deveria ser uma alegria vermos um colega de trabalho de quem gostamos estar indicado para um prêmio qualquer. Devia.
Senti a falta de muitos artistas importantes na platéia. Parece que muitos colegas só dão as caras quando estão concorrendo. É uma pena.
O prêmio voltou para o Teatro Oi Futuro local onde começou. Tenho boas recordações. A primeira vez que fui indicado, em 1997, a cerimôni foi nesse teatro. Em 2003 estreamos A Farsa da Boa Preguiça no mesmo espaço. Agora, quase vinte anos depois, não sei se foi um bom retorno. Sei que faltaram alternativas para o Sinparc já que, ao que parece, o Grande Teatro estava sem pauta, o Sesiminas em reforma e o Sesc – Palladium...bem, esse só Deus sabe quando.
Em função do espaço pequeno os convites foram limitados e, pecado da organização, muita gente ficou de fora, indicados inclusive. Com quase vinte anos de estrada organizando o prêmio o Sinparc já deveria ter juntado bagagem suficiente para tornar o prêmio impecável, mas não é o que se vê.
Quanto à festa não foi das melhores. Poucas emoções, as surpresas nas premiações (houve surpresas?) não chegaram a empolgar a galera. Estavam presentes as claques de sempre torcendo para os seus respectivos espetáculos, mas não houve empolgação. Emoção mesmo somente na homenagem prestada aos falecidos Leleo Scarpelli e Zeca Santos, lembrados na bela voz de Katia Couto e no som da banda Suvaca de Vó. No mais...
Os discursos de agradecimento não fugiram a regra. Exceções feitas ao depoimento/desabafo do diretor e produtor Kleber Junqueira, premiado pela melhor cenografia do espetáculo Bent ao relatar que se encontra impossibilitado de voltar a apresentar seu espetáculo em função dos direitos autorais estarem retidos por um grupo carioca e do ator e figurinista Paolo Mandatti, premiado por A Última Canção de Amor Desse Pequeno Universo, suscinto e irônico (e muito divertido), salvou a noite da chatice.
Entre os demais premiados. Vou dizer que acho que a comissão infantil da qual faço parte fez um bom trabalho ao premiar “Homem Voa?” da Catimbrum Teatro de Bonecos. Foi um ano particularmente pobre em produções infantis, apenas 10 concorrentes sendo pelo menos quatro espetáculos de animação. Os bonecos esse ano capricharam na produção e foram reconhecidos com justiça. Fiquei feliz também em premiar o professor, diretor e dramaturgo Fernando Limoeiro pelo texto de “Tropeiros e Cantigas”. Justo.
Minha amiga e companheira de estrada Sidneia Simões não ganhou. Uma pena. Ela tampouco conseguiu entrar na festa, foi uma das barradas no baile apesar do convite com lugar marcado.
Fausto(s!), injustiçado por ter tido apenas 2 indicações levou afinal o prêmio de melhor iluminação.
Meu amigo Leo Fernandes também venceu o troféu de atuação masculina por “Esperando Godot”. Ele poderia ter sido indicado igualmente por “Nossa Cidade” onde também está muito bem. Não vi os demais trabalhos, mas acho que o prêmio ficou em boas mãos.
Por fim, “Nossa Cidade” ganhou os prêmios de espetáculo e direção. Acho um bom espetáculo e confesso que vi pouca coisa em função de estar permanentemente em cartaz ou ensaiando. Acho que Wilson Oliveira é um diretor consistente que escolhe bons textos e sempre nos apresenta espetáculos de qualidade. Sei também do trabalho e das dificuldades que foi para o Grupo Teatral Encena montar um espetáculo de tal envergadura praticamente sem patrocínio, mas penso também que a comissão poderia ter escolhido um espetáculo um pouco mais ousado quanto a sua linguagem.
Enfim.
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