Depois da overdose de teatro provocada pela 38ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança que esse ano adentrou pelos primeiros dias de março, Belo Horizonte mergulhou no marasmo pós-campanha. Fiquei desolado ao abrir o Pampulha desse final de semana e constatar que temos apenas nove produções em cartaz sendo uma delas um stand up comedy. Se pegarmos a programação do Dia Internacional do Teatro que está sendo comemorado pelo Galpão Cine Horto temos então mais quatro outras produções a disposição e só. Uma miséria se comparada aos mais de cem espetáculos que estiverem disponíveis durante os dois meses de campanha e mais alguns outros em eventos paralelos. Há de fato uma ressaca pós-campanha, motivo pelo qual (imagino) muitos dos teatros públicos estão empurrando suas concorrências para depois de abril (é o caso do Teatro Marília e também da Sala João Ceschiatti), mas se alguém de fora que esteja passando o final de semana na cidade resolver tentar ir ao teatro irá encontrar bem pouca coisa à disposição, o que é uma pena. Esbarro com esse problema toda vez que viajo de férias para alguma capital do Nordeste. Como amante do teatro que sou sempre procuro alguma alternativa cultural que escape as opções geralmente oferecidas para turistas. E o resultado é que quase nunca encontro nada para assistir. Um ou outro show, um ou outro espetáculo e mesmo assim muita coisa de fora e geralmente com atores globais. Só fui feliz uma única vez em Recife. Para uma cidade que se gaba em ser o terceiro pólo teatral do país (posição que deve disputar com Porto Alegre e Curitiba) ter em um final de semana pouco mais de dez espetáculos em cartaz é muito pouco. Claro que há os custos de se manter uma produção e colocá-la em exibição logo após a campanha principalmente porque o público, eis aí o grande problema, não comparece com a frequência que se espera. De minha parte penso que para resolvermos esse problema crônico da escassez de público durante o ano deveríamos a longo prazo modificar substancialmente a educação básica nesse país porque cultura é uma questão de educação e a curto prazo sairmos um pouco dos limites da Avenida do Contorno e levarmos os espetáculos teatrais aos bairros cobrando ingressos mesmo que a preços simbólicos. Talvez seja uma saída. Fico triste quando vejo que nossa realidade teatral é ainda bastante amadora. Amadora no sentido de quem faz teatro e como o faz. Aos trancos e barrancos, com pouco dinheiro e atingindo pouco público. O teatro mineiro, tirando algumas exceções que confirmam a regra e tirando a época dos grandes eventos como a Campanha e o FIT, parece ter ainda pouca visibilidade perante ao público. E ainda há alguns artistas que não dão muita bola para ele...
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